Quinta, 26/01/2012
Noite:
Chegamos no Magic Kingdom e a primeira coisa que eu percebi é que não tinha me despedido da Titi. Comecei a chorar de novo. Meu emocional estava meio abalado nesse dia, assumo.
Como chegamos lá em cima da hora, fomos andando rapidinho para dar tempo de: ir na Sir Mickey’s bordar nossos chapéus e ir na Castle Couture tomar um banho de pixie dust. Fomos correndo já que essas eram as únicas lojas que fechavam antes dos fogos.
Antes, porém, eu e Cindy demos uma paradinha para uma foto na frente do castelo one last time.

Fomos então lá na Sir Mickey’s e bordamos nosso chapéu!

Muita gente ficou sem o nome no chapéu porque achava que só tinha lugar para bordar na Main Street. Entretanto, a fila lá tava mais de uma hora. Mal eles sabiam da pequenina Sir Mickey’s, atrás do castelo, sem filas e com os melhores cast members do mundo para bordar coisas.
Depois disso, fomos na Castle tomar banho de pixie dust. Tomei tanto, mas tanto pixie dust e pedi para por até no meu chapéu. A essa altura, minha bateria já tinha acabado e as fotos seguintes são de câmeras alheias que consegui recuperar. Me despedi dos meus co-workers pela última vez e fui, com meus amiguinhos, para a frente do castelo. Estava chegando uma das horas mais dolorosas do meu ICP.

Sei lá. Todo mundo conseguiu se encontrar na praça em frente ao castelo antes dos fogos começarem. Ficamos conversando um pouco e então começou o “Magic, Memories and You”. Os ânimos já estavam meio abalados, mas ainda não era nada desesperador. Quando deu 9hrs em ponto e o Grilo Falante começou a falar, todos nós nos aproximamos. A música começou e todos cantaram juntos. Foi de partir o coração. Comecei a chorar desesperadamente e não era a única. Enquanto a queima de fogos rolava, sininho descia, músicas clássicas tocavam e vra, o choro só aumentava. Em meio ao Wishes, só se ouvia choros e soluços. Eu chorei tanto, mas tanto. Um turbilhão de memórias passava pela minha cabeça, desde aquela primeira palestra, oito meses atrás, perpassando todos os momentos que eu tinha vivido até ali, todos os amigos que eu tinha feito, todas as coisas das quais eu tinha tido, o meu trabalho.. Tudo! E eu só chorava. Pensava em todas aquelas pessoas e que, provavelmente, eu nunca mais veria a maior parte delas.
Assista ao último Wishes aqui: http://www.youtube.com/watch?v=kLWjIQGIDR4 (Gravado pela Gêmea)
Quando finalmente acabou o show, todos gritaram. Todos começaram a se abraçar, a dizer que gostavam um do outro e todos choravam litros. Litros mesmos. Minha cabeça nunca doeu tanto e eu simplesmente não conseguia parar de chorar por nada nesse mundo.
Abracei a Cindy, soluçando, e ela só dizia ‘a gente conseguiu, a gente conseguiu’. E conseguimos mesmo. Para fazer parte daquele programa, para estar ali naquele momento, passamos por MUITA coisa. Foram anos de sonho, meses de processo seletivo e os meses do programa mesmo. Sei lá. Tem que ter nervos de ferro. É necessário virar as costas para muita coisa para encontrar algo que você não sabe o que é. Você deixa o conhecido e seguro para trás e vai em busca de algo que você não faz a mínima idéia. A pressão psicológica da seleção é absurda e ai, você finalmente passa. Vem aquela sensação de alívio, mas não por muito tempo… Preparação de viagem, documentos mil, despedidas, a viagem em si, o começo.. Morar com desconhecidos, ter que falar inglês o tempo todo, se virar em comer, dormir, lavar roupa. Então, você encontra o equilíbrio: você encontra marcas de comida que você gosta, restaurantes legais, festas legais, seus parques e brinquedos preferidos, seu trabalho e co-workers, faz amigos…E nisso, passam os 3 meses com um estalar de dedos e você tem que, mais uma vez, virar as costas e ir embora. E dessa vez, acho, é pior. Porque quando a gente foi embora, três meses atrás, a gente saberia que quando voltasse ia estar tudo no Brasil, nos conformes, com algumas diferenças, mas tudo aqui. Agora, iríamos virar as costas no dia seguinte e nada, JAMAIS, ia ser como tinha sido um dia. E, apesar de tudo, tudo tinha sido tão bom. Como um sonho. Não me arrependo de nada, em nenhum momento. Se precisasse, eu viveria tudo outra vez. A Disney tinha sido o lugar perfeito, “where dreams really come true”.
Uma vez me disseram uma das frases mais lindas que já ouvi e, que com certeza, eu jamais vou esquecer: ‘ICP is where real friends meet for the very first time’. Ou seja, fazer parte desse programa é encontrar alguns amigos verdadeiros pela primeira vez. E, vou te dizer, não pode existir frase mais verídica nesse mundo.

Roomies Lindas
Fizemos uma grande roda na praça principal do Magic Kingdom e começamos a gritar “ICP, ICP, ICP”. E depois, o pessoal do dia 13/11, que era mais da metade, começou a gritar “dia 13, dia 13, dia 13”.

Todos amados e queridos
E então, chegava a hora de ir para casa. Dei uma paradinha na Emporium para aproveitar, pela última vez, meu desconto de cast member.. Tirei umas fotos em frente ao castelo com a Cindy, olhei para o meu monumento preferido com uma apreciação final e fui lá pegar o meu querido a bus uma última vez. Era, oficialmente, o fim.

“Mudaram as estações, nada mudou
Mas eu sei que alguma coisa aconteceu
Tá tudo assim tão diferente
Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar
Que tudo era pra sempre
Sem saber, que o pra sempre, sempre acaba
Mas nada vai conseguir mudar o que ficou
Quando penso em alguém só penso em vocêS
E aí, então, estamos bem
Mesmo com tantos motivos
Pra deixar tudo como está
Nem desistir, nem tentar agora tanto faz
Estamos indo de volta pra casa” (Por Enquanto - Cássia Eller)

























































































































